Os povos vivem sempre de desejos e pouco na realidade. Os portugueses e os tomarenses não são excepção. Recentemente a Assembleia Municipal de Tomar aprovou una moção onde se considera o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) como motor do desenvolvimento do concelho e uma escola de referência no campo da engenharia e no ramo da gestão. Por que é que tal moção surge tão inesperadamente? Qual o futuro do IPT? Como é sabido, por necessidade de poupança colectiva, muito do que é público terá de encerrar portas, ou, porque o mundo vive hoje toda uma reorganização económica e social muito do que é público terá de ser privatizado. A maior Universidade privada do mundo, americana, comprou recentemente um Instituto Superior privado português, com sede em Lisboa e extensões, pelo menos, em Santarém e Leiria. Fatalmente, aquela Universidade privada entrará em concorrência com os Politécnicos de Santarém e Tomar, e não só. Aquela Universidade americana, além do prestígio de que desfruta, oferece a mais valia para quem nela se inscrever de poder vir a completar o curso em qualquer parte do mundo. A Universidade americana tem uma parceria com a Universidade do Real Madrid, o que tem de ser considerado pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior do IP de Santarém. Os Politécnicos de Tomar e de Santarém, como todos os outros, têm de atentar na reestruturação no Ensino Público e na concorrência a vir do privado. Podem fazer manifestações, moções, abaixo assinados, dizer que têm vindo a ser colocados perante factos consumados e sei lá que mais, que a realidade é como é e quase nunca corresponde aos desejos do povo. A questão do Politécnico enquadra-se na do Hospital, na do transporte ferroviário e em tudo o que implica desenvolvimento e afirmação do concelho de Tomar. Em torno do problema do Hospital de Tomar têm sido feitas manifestações e outras coisas mais, sem se lutar, como já aqui escrevi, adequadamente contra o que está no Memorando da Troika, que abrange a reestruturação de todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e não só dos Hospitais. Olha-se apenas para o Centro Hospitalar do Médio Tejo esquecendo-se a região e o SNS, ignorando-se os avisos de médicos (no Diário de Notícias) e de outros sobre a transferência de serviços hospitalares do Médio Tejo para o Hospital de Santarém – questão, que não é nova: o Médio Tejo poderá ficar sem Hospitais? Segundo o Memorando com a Troika, até 30 de Novembro próximo tem de estar concluída a proposta de reestruturação da rede Hospitalar, a ser implementada até Março de 2013. Em Tomar mexe-se muito mas nada se faz para participar naquela reestruturação. Nem naquela nem em outras. O memorando assinado com a Troika impõe que o nosso País adopte um plano estratégico para o sector dos transportes, com os objectivos de ”racionalizar as redes e melhorar a mobilidade e a condições logísticas em Portugal; reforçar a concorrência no sector ferroviário e atrair mais tráfego”. Para o sector ferroviário o memorando impõe: “Transpor os pacotes ferroviários da União Europeia”. Nos pacotes ferroviários da União Europeia está incluído o TGV; os portugueses dizem não ter dinheiro para o fazer, mas vão fazê-lo, a Europa e o Mundo é que não podem ser prejudicados por causa de um povo irrealista que nunca terá dinheiro para nada. Na transposição daqueles pacotes há que “assegurar que a operadora ferroviária estatal ficará independente do Estado”. Esta independência foi estabelecida na segunda quinzena de Janeiro de 2012, significando que se prepara a privatização da empresa. A racionalização da rede ferroviária é outra imposição, havendo que “privatizar o ramo de transportes de mercadorias do operador ferroviário estatal bem como algumas linhas suburbanas”. Qual o futuro do ramal de Tomar? Como vão combater todas as reestruturações, estas e outras em curso? Com manifestações? Com moções? Com discursos exaltados? Ou com racionalidade e procura de formas de desenvolvimento e de afirmação do concelho? Isto diz respeito a todas as forças políticas e à sociedade tomarense.