O memorando assinado entre o nosso País e a Troika impõe algumas medidas nos serviços hospitalares, tais como: uma redução de 200 milhões de euros nos custos operacionais dos hospitais em 2012; redução de custos com transportes de doentes; “redução no número de pessoal de gestão, como resultado da concentração e racionalização dos hospitais estatais e centros de saúde”; instalar um sistema de auditoria; estabelecer um sistema de comparação (benchmarking); “continuar com a reorganização e racionalização da rede hospitalar por meio da especialização e concentração de serviços hospitalares e de emergência e gestão conjunta (com base no Decreto-Lei 30/2011) e operação conjunta dos hospitais… Um detalhado plano de acção será publicado até 30 de Novembro de 2012 e a sua aplicação é finalizada no primeiro trimestre de 2013”; até final de Março de 2012 serão apresentados os planos para a distribuição de recursos humanos no período até 2014. Estas medidas serão aplicadas no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Segundo analistas, a Troika impôs na Saúde o que os especialistas andam há anos a propor para melhorar a eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para eles, a grande pressão que os lóbis têm conseguido exercer sobre o poder político inibiram as reformas essenciais à sustentabilidade do sistema. Admitem que, apesar de se criar uma constante situação de cortes nos direitos da população, com o objectivo de alcançar um modelo auto-sustentável nos sistemas públicos de saúde, os lóbis continuarão a ter influência. Para entender a situação, Tomar tem de criar o seu Sistema de Acompanhamento para todo o processo, para que se compile informação sobre o problema e se possa actuar como lóbi junto do Governo e de outras entidades. Alguns pensam que a questão é apenas política, e que se resolve com panfletos junto de políticos influentes ou conversa com a Administração do CHMT. O problema é político, porque é social, mas é também económico, por causa dos meios e dos fins. Legitimamente, os lóbis procuram a sua influência sobre o poder político, utilizando dados económicos e sociais em reforço da sua argumentação. Se Tomar não dispuser de informação económica e social não poderá argumentar junto do poder político nem disputar ombro a ombro com os lóbis, o que levará à derrota do Concelho e da Região. A terra do Nabão precisa de criar o seu modelo de comparação (benchmarking), e tem de saber exigir um Sistema de Gestão de Qualidade Total para os utentes do SNS de toda a Região do Pinhal. Repare-se no título do acordo com a Troika: “Memorando de entendimento sobre condicionalismos específicos de política económica”; “de política económica”, o que demonstra que o problema não é só político e a luta para o solucionar tem também de ser económica. O quadro económico da situação tem a ver com a evolução do Rendimento Nacional, que vai cair fortemente por muitos e largos anos, colocando problemas à sustentabilidade do SNS; tem a ver com as Economias Internas ao CHMT e a cada um dos seus hospitais; tem a ver com as Economias Externas (rodovias e portagens, caminhos de ferro, outras comunicações, etc.); tem a ver tem a ver com a política para a Região do Pinhal, que é o “coração do País”. Tomar pouco ou nada contribui para o desenvolvimento da Região do Pinhal e do País, em contrário, Abrantes tem grandes empresas portuguesas e multinacionais, como a Mitsubishi e a Bosh, que estão a reforçar os seus investimentos. Segundo o Diário da República, o Governo considera a Mitsubishi um projecto com “elevado contributo para a economia nacional” e para o desenvolvimento regional, pelo que o declarou de interesse estratégico. Tudo isto fortalece os argumentos para a manutenção do hospital naquele Concelho, quais os argumentos de Tomar? Tomar tem de criar poder e de saber actuar como lóbi, tem de aprender a actuar num mundo de lóbis ou então perde o hospital e muito mais. Um detalhado plano de acção hospitalar será publicado até 30 de Novembro de 2012, os tomarenses têm de agir antes dessa data, e, ao mesmo tempo, preparar-se para enfrentar outras ameaças.