A cidade constitui uma forma de organização social que traduz um dos marcos da nossa civilização e é um dos pilares da sociedade moderna. Na Antiguidade, a “Cidade-Estado” foi a organização fundamental das comunidades e a cidade grega desse tempo foi o seu exemplo por excelência. Faziam parte da cidade os pequenos burgos e as aldeias rurais próximas mas era o seu núcleo urbano que funcionava como a sede das instituições, do culto, centro comercial e local de refúgio em caso de perigo. A cidade era de tal modo o quadro natural da vida que o próprio Império Romano se apresentava como uma federação de cidades. O conceito de cidade é hoje tão permanente e transversal que não nos apercebemos da sua importância: a cidade-dormitório, a cidade-satélite, a cidade universitária, a cidade santa, a “Cidade Proibida” dos imperadores, em Pequim, ou, em Londres, a “City” como centro financeiro. A expressão cidadania aplica-se ao indivíduo, membro de um Estado, na posse integral dos seus deveres e direitos civis e políticos; uma palavra que resume, em si mesma, a essência da democracia. Hoje, as cidades continuam a ser núcleos fundamentais da sociedade porque, constituindo-se como centros de decisão, condicionam a vida presente e futura das comunidades na sua zona de influência: a cidade é assim um organismo dinâmico cuja sobrevivência é garantida e consolidada desde que nela haja actividades socialmente úteis. Importantes cidades de outrora são hoje aldeias ou lugares despovoados, social e economicamente irrelevantes, ainda que com importante passado histórico. A capacidade de gerar riqueza e emprego são a primeira condição para a fixação da população, logo para a perenidade da cidade. O conceito de criação de valor tem, na complexidade da sociedade moderna actual, um sentido mais lato do que a manufactura: pode traduzir-se na prestação de serviços especializados, na centralidade administrativa, burocrática ou de regulação, ou ainda na possibilidade de captar riqueza produzida noutras regiões. Daí que, em certa medida, o desenvolvimento e o foco da actividade comercial são um reflexo da vitalidade da cidade. É assim que podem ser vistos alguns sinais no comércio local e, se é verdade que o País enfrenta uma crise que se traduz numa acentuada quebra do poder de compra, logo, com reflexos negativos em muita dessa actividade, algum dinamismo persiste e é indicador de tendências. A recente redução da área de atendimento (e fusão de serviços) no sector das novas tecnologias e, simultaneamente, ampliação e nova centralidade para a venda de material ortopédico que, pela sua natureza, é maioritariamente destinado à “terceira idade”, podem ser sinais reveladores do envelhecimento da cidade. Ao mesmo tempo, os últimos resultados dos censos mostram que Tomar é a urbe do distrito que, depois de Abrantes, perdeu mais população na última década! Com uma actividade económica aparentemente anémica e a perder população, que futuro para Tomar? Uma cidade para idosos? E depois deles?
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