O meu escrito publicado em “O Templário” do dia 17/11/11, sobre umas senhoras espanholas que, por estarem desempregadas, resolveram amanhar umas hortas e um pomar que estavam abandonados, terminava assim: “um brasileiro dizia para um português, mas você semeou? Quem não conhecer a história do brasileiro contacte-me que eu conto”. Acontece que fui contactado por amigos e por outras pessoas que querem saber a história, (eventualmente anedota). Ela é bastante antiga, mas apesar disso, nem todos a conhecem. Tem, a meu ver, implícita uma exemplar lição de vida e bem podia ter acontecido. Vou contá-la à minha maneira para quem estiver interessado. Então lá vai: ”já há uns bons anos, um português emigrado no Brasil, decidiu mudar de vida e procurava uma propriedade para se instalar com a família, criar animais e fazer agricultura. Um certo dia, ao percorrer uma zona rural nos arredores do Rio de Janeiro, verificou que determinada propriedade estava abandonada. Como se apercebeu que os terrenos eram de boa qualidade e a localização também, decidiu saber do seu proprietário. Entrou na propriedade e a certa altura, lá estava o castiço brasileiro, sentado à porta de casa com o seu chapéu de palha saboreando uma boa cerveja. O português chegou à fala com ele e lá lhe disse o que procurava. O brasileiro, honestamente pôs as cartas na mesa, dizendo: se você quer comprar eu vendo, mas desde já lhe digo que isto não dá nada. Ainda assim o português insistiu em comprar e em pouco tempo chegaram a acordo. Com a sua forte vontade de vencer o português tratou de cultivar a terra, plantou árvores, criou gado, de tal modo que ao fim de pouco tempo tudo estava a produzir. O brasileiro que foi viver para uma cidade distante, só ao fim de dois anos é que decidiu passar por lá, para saber o que tinha acontecido ao português. Chegaram à fala e o português repetiu o que ele lhe tinha dito antes. Então o senhor disse que esta terra não dava nada e afinal dá. Pois dá, “mas o senhor semeou”. Moral da história: para colher é preciso semear.
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