Após 1871, e em consequência da Comuna da Paris, a Igreja Católica desenvolveu a sua Doutrina Social. Perante a actual crise mundial, a hierarquia Católica tem vindo a defender o reafirmar da Doutrina Social da Igreja Católica. Em Portugal, face à crise e ao seu agravamento, a hierarquia dos católicos tem assumido não só o retorno àquela Doutrina como o incremento da acção dos fiéis nas suas paróquias. Recentemente, a Conferência Episcopal Portuguesa reuniu, em Fátima, com as Instituições de Solidariedade Social de inspiração Católica, a fim de as mobilizar para o combate à crise. As Misericórdias são instituições de Solidariedade Social orientadas pela Doutrina Católica e pelos Ordinários Diocesanos. A Misericórdia de Tomar não está fora destes regimes. Desde há vários anos que se sente da necessidade de uma reestruturação da Misericórdia de Tomar e do aumento da sua vocação para a intervenção no Concelho. Na Assembleia Geral daquela instituição nabantina, em Março de 2010, levantei a questão da necessidade de tal reestruturação. Em resposta, o Provedor Fernando Jesus reconheceu tal necessidade e afirmou contar comigo para essa reestruturação. Defendo que a reestruturação da Misericórdia de Tomar deve contar não só com o apoio de todos os irmãos nela filiados, mas também com o dos católicos. Consequentemente, apelamos às Paróquias católicas em Tomar que se mobilizem no sentido de nos ajudar, e aos irmãos da Misericórdia que se identifiquem para que saibamos quem são e como podemos contar com as suas opiniões. Se as Paróquias elaborarem listas dos irmãos da Misericórdia nelas residentes e os contactos respectivos, então facilmente se poderá fazer uma mobilização que corresponda às necessidades da instituição e do Concelho e responda ao apelo dos Bispos portugueses e da Igreja Católica. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, e Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, na sessão de abertura do XXVII Encontro da Pastoral Social, que decorreu em Fátima, como atrás referimos, sob o tema "Desenvolvimento local, caridade global", desafiou os representantes das instituições de solidariedade a saberem distinguir a política daquela que é a Missão da Igreja Católica, tendo sublinhado que à Igreja compete incentivar "a mudança de cultura e de mentalidades". É dentro deste espírito que elaboramos esta Carta apelando aos Católicos, ao Vigário em Tomar, às Paróquias, aos irmãos da Misericórdia e aos elementos que compõem os Órgãos directivos desta, aos não Católicos e à Comunicação Social que nos ajudem na reorganização da Misericórdia e no Desenvolvimento de Tomar. Bem hajam.