No sábado, dia 29, deambulando por entre os canais televisivos de que disponho, surpreendi, num deles, o famoso Herman José em animado diálogo com quatro criaturas assumidamente femininas e ao que parece, personagens intelectuais da nossa praça. A conversa versava sobre pénis, curtos e longos, finos e grossos, direitos e tortos, abstendo-me de maiores considerações. Eram umas dez da noite. No final, a que assisti, uma delas, sintetizando o tema, concluiu que não bastam as qualidades do pénis, mas também as do seu possuidor, invocando a imagem de alguém que possui um Rolls Royce mas não tem carta de condução. A sentença, evidentemente falaciosa, porque há muitos encartados a conduzir mal, foi, não obstante, a chave de ouro a encerrar o programa, com o e as intervenientes a concordarem neste pensamento profundo. Não fixei a estação televisiva, nem os nomes das criaturas. Mas fiquei a recordar outros tempos de educação, de vergonha e de decência, em que esta temática, em praça pública, definia um nível social tido por desprezível e designado por carroceria. Os carroceiros e seus pares cocheiros eram os profissionais da tracção animal. Os primeiros conduziam as carroças, veículos pesados de mercadorias e os segundos tripulavam viaturas ligeiras de passageiros, coches se privados, tipóias, quando de aluguer. O trato quotidiano com as bestas, justificava as bestialidades. Mais ninguém se permitia em público desabrimento de linguagem. Hoje, desaparecidos os carroceiros e as carroças, os cocheiros e os coches, restam os gajos e as gajas, sucedâneos actuais dos cavalheiros e damas de outrora. Já então, se falava em senhoras e mulheres, senhores e homens. Com significados diferentes. Depois, veio o nivelamento por baixo. E quem sabe se as obras literárias apresentadas no programa do Herman e de conteúdo imaginável, não virão, um dia destes, a ser adoptadas em algumas escolas para maior embrutecimento da juventude. Sócrates (o nosso), revelou recentemente o desígnio de dar prioridade à educação. Preocupante sinal!