Apesar de colaborações esporádicas, inicio hoje uma colaboração mais regular com “O Templário”, com uma coluna a que, à falta de melhor, decidi chamar “Levada da breca”. Levada, porque já muita levada a levada levou e continuará a levar. E muita levou que não devia ter levado. Da breca, porque a levada às vezes é mesmo levada da breca e leva o que deve e o que não deve, o que pode e o que não pode. Ainda nem há um mês a levada levou uma grande levada. Levou Corvelo de Sousa ao castigo político merecido de uma maioria relativa, com menos votos, menos mandatos, menos glória, menos grandeza, menos merecimento. Levou o PS a ascender à gamela local que a D. Elisa Ferreira do Porto vai e vem entre Bruxelas e Campanha, está condenada a usar em Bruxelas e Estrasburgo, depois da humilhação eleitoral que Rui Rio lhe impôs no Porto. Levou Pedro Marques à breca da inutilidade política, suplantado pela gamela dois do candidato Vitorino, que visa encetar um processo de mini-corvelianiazação durante quatro anos. E levou mais um punhado de tomarenses que decidiram com naturais, humanas, políticas e legítimas ambições pessoais a tentar mudar o rumo do futuro de Tomar, de acordo com as suas ideias, projectos e concepções sobre o governo do interesse público. Costumam usar-se duas ideias feitas para exprimir o desencanto com a democracia. Uma: eles votaram, votaram mal, tinham muito por onde escolher, portanto, amanhem-se porque terão o que merecem. Outra: eu sou um incompreendido, o eleitor é que não me entende, não percebe, não alcança, não vai lá, vamos portanto tratar da nossa vidinha e deixemo-los sofrer com o que aí vem. Não adopto a primeira nem concordo com a segunda. Na democracia o voto do povo é soberano. Isto significa que o que vier a suceder em Tomar nos próximos quatro anos é da inteira e exclusiva responsabilidade de quem passou quatro anos a dizer mal, a criticar e a atacar exactamente as pessoas em quem acabou de votar. Mas não vale a pena cair na tentação de aplicar o castigo eterno no caldo dos infernos por causa destes resultados. Todos, todos, todos eles passarão e Tomar continuará. Perene, vital, soberba. Sou dos que defendo uma profunda alteração do sistema político português porque entendo que este modelo da Constituição de 1976 que organizou o regime, a forma de Governo, o modelo de administração regional, central e local, com o seu cortejo de burocracias, órgãos, regras, está+a esgotado e não responde aos desafios do futuro de Portugal. Basta vermos este pequeno exemplo: quem votou Corvelo para gastar os QREN’s de António Paiva, saiu-lhe Becerra Vitorino para gastar os QREN’s de António Paiva. Quem votou Carlos Carrão para vereador de bombeiros, vai provavelmente sair-lhe Um Carlos Carrão presidente… É saudável? Não. É democrático? Não. E agora? Agora esperem mais quatro anos e tentem de novo a sorte. Se estiverem para aí virados.
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